<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-2916088132459144196</id><updated>2012-02-16T09:19:10.987-02:00</updated><category term='cartum'/><category term='contos'/><category term='política'/><category term='opinião'/><category term='seriados'/><category term='televisão'/><category term='crônicas'/><category term='literatura'/><category term='facom'/><category term='resenha'/><category term='true blood'/><category term='cultura'/><title type='text'>Pedro Britto</title><subtitle type='html'>blog</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://pbritto.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2916088132459144196/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pbritto.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Pedro Britto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11040260418755942175</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_mcoYeQDIcgk/Sbr5_2kXvmI/AAAAAAAAAeU/3M25ngP3Wps/S220/eu.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>14</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2916088132459144196.post-698683894257753790</id><published>2011-06-17T07:16:00.032-03:00</published><updated>2011-06-21T09:52:12.493-03:00</updated><title type='text'>Escola de Frankfurt vs. Habermas</title><content type='html'>Por estranho que possa parecer à primeira vista – muitas vezes o é –, Jügen Habermas é da linhagem da Escola de Frankfurt.&lt;div&gt;O mais famoso conceito desta escola para os estudos de comunicação, o de Indústria Cultural, é fundamentalmente ligado ao modelo marxista de sociedade. Principalmente, no caso, visto na disfunção e, ao mesmo tempo, relação da superestrutura com a&lt;b&gt; &lt;/b&gt;infra-estrutura. É sabido de há muito que o próprio Marx não se deteve tempo suficiente sobre as edificações simbólicas da vida, a tal superestrutura. Caminho aberto, Adorno e Horkheimer, de frente para a industrialização frenética da Europa e diante do surgimento dos meios de comunicação de massa, maquinaram o aprisionamento cultural à democracia liberal sem vislumbrar chances de resistência àquele modelo político-econômico. Explico: a partir do momento que os meios de comunicação massivos (terreno fundamental da cultura pós-industrialização) fazem parte e uso da lógica industrial, antes reservada à produção material da vida social, a contestação da infra-estrutura se perde no único lugar de onde ela poderia surgir – a superestrutura, que se pensa, ali, distendida da estrutura de produção das fábricas. A Indústria Cultural tolheria a capacidade de reação do &lt;i&gt;simbólico&lt;/i&gt; diante de seu contraponto &lt;i&gt;material&lt;/i&gt;. Seria a cultura, afinal, reprodutora e determinada pela infra-estrutura quando industrializada. Daí, o famigerado pessimismo da Escola.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mas Habermas é democrata, até onde minha vista alcança. Desenvolveu um pensamento político muito promissor do meio do século passado para cá com o conceito de Esfera Pública e sua Teoria do Agir Comunicativo. Se o escrutínio público de razões possibilita a produção de verdades morais norteadoras da ação política num modelo transcendental (porém construtivista), os &lt;i&gt;media&lt;/i&gt; voltariam, com efeito, ao estado de meio e não de fim da ação cultural/comunicativa. Apesar de suas incongruências contingentes e limitadoras, poderiam ser eles, os meios de comunicação, (&lt;i&gt;data venia&lt;/i&gt;) &lt;i&gt;veículos&lt;/i&gt; de argumentos que se querem transcendentes (num jogo dialético) aqui, através da pragmática da comunicação. Possibilitariam, sim, em última instância e para efeito de comparação, construções &lt;i&gt;independentes&lt;/i&gt; da infra-estrutura. Daí, o otimismo do filósofo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mas onde está aquela linhagem mencionada no início? Cadê a aproximação? Respondo: na querença do homem emancipado de suas circunstâncias derivada do Iluminismo, do homem que responde por si (pela razão) ao seu futuro. Do homem que ainda não se concretizou. Para Adorno, a razão é desvirtuada, no desenvolvimento das sociedades européias posteriores ao Iluminismo, deixando de ser crítica quando torna-se técnica (perpretando certo modelo de sociedade). A indústria decomporia a razão. Para Habermas, a palavra em forma de argumento numa esfera pública determinada traz aquela razão emancipadora de volta.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Nota 1: reduzi a Escola de Frankfurt anterior à Habermas à Adorno e Horkheimer para que o paradoxo funcione melhor.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Nota 2:  chamo de "produção material da vida", neste texto, em alinhamento com o marxismo clássico, os produtos e os meios de produção de bens de consumo – de valor &lt;i&gt;utilitário&lt;/i&gt;. Sem deixar de levar em conta que a comunicação massiva, por exemplo, é perfeito totem do embaralhamento da simbologia com a materialidade.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2916088132459144196-698683894257753790?l=pbritto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pbritto.blogspot.com/feeds/698683894257753790/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2916088132459144196&amp;postID=698683894257753790&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2916088132459144196/posts/default/698683894257753790'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2916088132459144196/posts/default/698683894257753790'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pbritto.blogspot.com/2011/06/escola-de-frankfurt-vs-habermas.html' title='Escola de Frankfurt vs. Habermas'/><author><name>Pedro Britto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11040260418755942175</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_mcoYeQDIcgk/Sbr5_2kXvmI/AAAAAAAAAeU/3M25ngP3Wps/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2916088132459144196.post-5401679981447538991</id><published>2010-10-25T19:17:00.011-03:00</published><updated>2010-10-25T23:11:13.208-03:00</updated><title type='text'>Re-presença</title><content type='html'>Há quem faça acreditar que a fragilidade de nossa genitália, cheia de necessidade de proteção, resulte em representações inúmeras – tabus morais sobre o sexo. Que aquilo que precisa estar escondido &lt;i&gt;merece&lt;/i&gt;, além da tanga, cobertura cultural, que cá e alhures institua textualmente, engabelando quiçá, aquele dado biológico – primeiro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2916088132459144196-5401679981447538991?l=pbritto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pbritto.blogspot.com/feeds/5401679981447538991/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2916088132459144196&amp;postID=5401679981447538991&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2916088132459144196/posts/default/5401679981447538991'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2916088132459144196/posts/default/5401679981447538991'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pbritto.blogspot.com/2010/10/re-presenca.html' title='Re-presença'/><author><name>Pedro Britto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11040260418755942175</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_mcoYeQDIcgk/Sbr5_2kXvmI/AAAAAAAAAeU/3M25ngP3Wps/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2916088132459144196.post-1570311339333418854</id><published>2010-06-01T22:34:00.003-03:00</published><updated>2010-06-09T03:08:39.698-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='facom'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crônicas'/><title type='text'>Folhinha faconiana (2)</title><content type='html'>19h34, Departamento de Comunicação da Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A reunião tinha começado às duas, discutia-se quem seria o docente responsável pela disciplina COM007, que o tempo não faz recordar muito bem qual era. Fato é que professores em retórica longa e modorrenta apurrinhavam a paciência dos presentes com discussão que não chegava em lugar nenhum. O imbróglio persistia.&lt;br /&gt;André Setaro pede a palavra, dedo em riste para o teto, e diz: – Timothy Dalton está vindo ao Brasil. Não seria a oportunidade de convidá-lo para ministrar a disciplina? Quem melhor para dar a tal COM007 do que o próprio James Bond?&lt;br /&gt;Um ou dois riram, entre perplexos e indignados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A pretendente a gloriosa COM007 não existe mais na grade de disciplinas da FACOM.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2916088132459144196-1570311339333418854?l=pbritto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pbritto.blogspot.com/feeds/1570311339333418854/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2916088132459144196&amp;postID=1570311339333418854&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2916088132459144196/posts/default/1570311339333418854'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2916088132459144196/posts/default/1570311339333418854'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pbritto.blogspot.com/2010/06/folhinha-faconiana-2_01.html' title='Folhinha faconiana (2)'/><author><name>Pedro Britto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11040260418755942175</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_mcoYeQDIcgk/Sbr5_2kXvmI/AAAAAAAAAeU/3M25ngP3Wps/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2916088132459144196.post-8775160125482659002</id><published>2010-04-05T05:59:00.021-03:00</published><updated>2010-06-01T22:28:05.542-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='resenha'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='literatura'/><title type='text'>Ninguém sabe.</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_mcoYeQDIcgk/S7mxj6282wI/AAAAAAAAAg8/K-kBn4EESPM/s1600/O+Albatroz+Azul.jpg"&gt;&lt;img style="float: left; margin: 0pt 10px 10px 0pt; cursor: pointer; width: 206px; height: 320px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_mcoYeQDIcgk/S7mxj6282wI/AAAAAAAAAg8/K-kBn4EESPM/s320/O+Albatroz+Azul.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5456587654189341442" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;i&gt;O Albatroz Azul &lt;/i&gt;(2009, Nova Fronteira), novo de João Ubaldo Ribeiro, dá-me fôlego depois do fraco &lt;i&gt;O Diário do Farol. &lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;Ainda que aquele estilo gasto de fluxos de consciência corriqueiros e, por isso mesmo, coloridíssimos e a Ilha de Itaparica façam com que, de quando em vez, João Ubaldo recorra a si próprio de &lt;i&gt;Viva o Povo Brasileiro&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;O Sorriso do Lagarto, &lt;/i&gt;logrando sensações de &lt;/span&gt;déjà vu&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt; aqui e acolá, talvez o que mais me agrade em &lt;/span&gt;O Albatroz Azul&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt; seja o sentido de unidade que, findo o livro, faz-lhe voltar à epígrafe, já esquecida àquela altura, para fechar o que ela mesma apresentou.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;O livro é fino e, com disponibilidade de tempo, lê-se numa sentada. Até porque, como manda a tradição de seu estilo, a leitura corre que é uma beleza, podendo pausas e retornos causarem enormes prejuízos. Depois de duas, três páginas, você já está na velocidade certa que lhe levará até à última na urgência de uma resolução do suspense emoldurado.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Longe de suas obras-primas imprescindíveis de 1971, &lt;i&gt;Sargento Getúlio,&lt;/i&gt; e 1984, &lt;i&gt;Viva o Povo Brasileiro&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;O Albatroz Azul&lt;/i&gt; nos transporta prazerosamente de volta àquela bela porque trivial ilha para falar sobre morte e vida e, como qualquer João Ubaldo, vale mais do que o que se paga.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2916088132459144196-8775160125482659002?l=pbritto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pbritto.blogspot.com/feeds/8775160125482659002/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2916088132459144196&amp;postID=8775160125482659002&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2916088132459144196/posts/default/8775160125482659002'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2916088132459144196/posts/default/8775160125482659002'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pbritto.blogspot.com/2010/04/ninguem-sabe.html' title='Ninguém sabe.'/><author><name>Pedro Britto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11040260418755942175</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_mcoYeQDIcgk/Sbr5_2kXvmI/AAAAAAAAAeU/3M25ngP3Wps/S220/eu.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_mcoYeQDIcgk/S7mxj6282wI/AAAAAAAAAg8/K-kBn4EESPM/s72-c/O+Albatroz+Azul.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2916088132459144196.post-5429880987961507438</id><published>2010-03-06T19:11:00.002-03:00</published><updated>2010-06-11T10:51:48.715-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cultura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crônicas'/><title type='text'>O Império da Arquivologia</title><content type='html'>O que seria de nós sem a Arquivologia? Imagine o que seria dos "setores pessoais" sem aquelas pastinhas, sem os computadores, sem o alfabeto, sem qualquer princípio de organização e constituição proporcionado pela dita Arquivologia. A Moderna algebrização do mundo é, você tem dúvidas?, essencial pra mim que preciso ir ao colegiado da faculdade mexer na matrícula ou ir ao banco operar meu salário mínimo.&lt;div style="text-align: center;"&gt;*  *  *&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;Em novembro de 2008, voltando de uma temporada em Irará, um grande amigo me manda um e-mail dizendo que tinha uma vaga de estagiário de produção num filme que ele tava produzindo. Aceitei com alguma expectativa. O filme tinha um orçamento razoável para o Brasil e me daria a chance de presenciar coisa difícil de se ver no cinema brasileiro, ainda mais se falando de Salvador ou da Bahia.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Para minha surpresa, nem foram as gruas ou a paralização do Porto da Barra que me impressionaram mais. Foram, sim, os olhares enviesados e esguios que meu tênis e minha camisa de marca, que fizeram certo sucesso na adolescência, receberam dos de sandália de couro, haribous e rastafáris que compunham a equipe do filme. Eu, encarregado de estagiar na produção, tive a ousadia de aparecer por lá sem portar uma cartucheira, que fosse, pendurada pela cintura.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Esses olhares me faziam lembrar de outros, da época do colégio, quando eu não ia ao Bonfim Light ou quando era flagrado, vixi, com sandálias de couro em vez do Nike Shox.  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;*  *  *&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;Sou defensor e grato à Arquivologia por facilitar minha vida. Porém, deve-se constatar que aquelas pastinhas servem também pra pôr gente, como fiz agora há pouco quando falava em "de sandália de couro, haribous e rastafáris". E é aí que começa o problema.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2916088132459144196-5429880987961507438?l=pbritto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pbritto.blogspot.com/feeds/5429880987961507438/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2916088132459144196&amp;postID=5429880987961507438&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2916088132459144196/posts/default/5429880987961507438'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2916088132459144196/posts/default/5429880987961507438'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pbritto.blogspot.com/2010/03/o-imperio-da-arquivologia.html' title='O Império da Arquivologia'/><author><name>Pedro Britto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11040260418755942175</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_mcoYeQDIcgk/Sbr5_2kXvmI/AAAAAAAAAeU/3M25ngP3Wps/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2916088132459144196.post-8104526524539263328</id><published>2010-02-22T03:04:00.001-03:00</published><updated>2010-06-01T22:27:18.150-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='política'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crônicas'/><title type='text'>Insônia</title><content type='html'>&lt;div&gt;Vê-se logo que as coisas não estão okay quando se passa na Avenida Contorno e o prédio de Ivete ergue-se sobre Gamboa de Baixo, né, mainha? Como podem as coisas estarem certas? E como é que muda? Ah, se a riqueza fosse distribuida igualmente. Descobre-se que alguém, no século XIX, escreveu sobre mais-valia, força de trabalho e um tal lucro. E que toda essa sujeira tinha jeito. Depois de comprar um caderno com Che Guevara na capa, você descobre que aquela conversa vazou da Alemanha igual a merda no ventilador, melecando como ninguém a Rússia. Mas pra Gorbachev ter o mesmo dinheiro da Sharapova o estado deve ser tomado à força por nós que sabemos que as coisas não devem ser assim e sabemos como elas deixam de ser assim até que tudo se ajeite e não exista mais governo. Uns setenta anos depois, a autocracia – ainda – socialista soviética rui enquanto os professores de história e os vereadores do PC do B insistem que a felicidade continua no Vermelho. Aí, você vê que os barbudos não gostam que toquem naquele tópico sobre igualdade política, ela que se foda, desde que ninguém seja mais rico do que eu. Você, brasileiro, apático, aprende que na ditadura a vida era mesmo, opa,  muito dura e que nada substitui a liberdade. Liberalismo, aliás, combina com desigualdade econômica, mas também, olha só, fica ótimo com democracia e que, nossa!, até você pode ser político, apesar do preço dos santinhos. Aí, você liga a televisão e vê um barba alinhada sem um dedo mindinho sustentar com orgulho o câmbio flutuante e toda aquela política macroeconômica pecaminosa. Esse barbudo que dizia-se comunista, socialista, cubano, diz agora que a revolução se faz através da ampliação das políticas sociais – algo parecido com socialdemocracia, não tem um troço desse no nome do PSDB? – em entrevista no avião da presidência. Que ele está se lambuzando de economia de mercado para que no fim tudo dê certo. Aí, depois de ler um artigo envergando comunismo no blog do Saramago, você vai dormir.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2916088132459144196-8104526524539263328?l=pbritto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pbritto.blogspot.com/feeds/8104526524539263328/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2916088132459144196&amp;postID=8104526524539263328&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2916088132459144196/posts/default/8104526524539263328'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2916088132459144196/posts/default/8104526524539263328'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pbritto.blogspot.com/2010/02/insonia.html' title='Insônia'/><author><name>Pedro Britto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11040260418755942175</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_mcoYeQDIcgk/Sbr5_2kXvmI/AAAAAAAAAeU/3M25ngP3Wps/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2916088132459144196.post-7535527400963636401</id><published>2010-02-18T18:12:00.000-03:00</published><updated>2010-02-23T05:18:15.030-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='política'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='opinião'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='televisão'/><title type='text'>Televisão tipo exportação</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: left;"&gt;"Eles realizam, de forma indolor, um processo de dominação muito eficiente. Despejam todo esse esterco cultural (...) A emergência desse lixo cultural nos deixou numa situação grave" – disse Marco Aurélio Garcia, assessor especial do presidente Lula para assuntos internacionais, em debate sobre a programação da TV a cabo, como se lê na matéria de capa da Ilustrada da Folha de S. Paulo, de quinta-feira, 18 de fevereiro.&lt;/div&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 298px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_mcoYeQDIcgk/S4AA88pudpI/AAAAAAAAAgs/o3vx30BlHcM/s400/marco-aurelio-garcia.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5440349396936849042" /&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:x-small;"&gt;Marco Aurélio Garcia, assessor do presidente Lula&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;Tenho desconfiança desse discurso ideológico sobre a televisão. O raciocínio é simples: televisão é comunicação de massa, comunicação de massa é indústria, indústria é lucro. A TV, relevando os canais estatais, sobrevive da audiência que produz quando a vende para a publicidade. Quanto maior a audiência, mais caro o espaço para veiculação, mais lucro. Simples. Cativar a audiência faz parte do mecanismo massivo de comunicação e sobrevive aquele que melhor o realiza. Se se orgulha tanto da democracia – liberal, sempre – que vem se consolidando no Brasil, não há de haver espaço para cotas de conteúdo nacional para a televisão. Ou as produções brasileiras aprendem a produzir o que é de gosto do público ou as importações continuarão a dominar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(0, 0, 238); -webkit-text-decorations-in-effect: underline; "&gt;&lt;img src="http://4.bp.blogspot.com/_mcoYeQDIcgk/S4AAXkB_jSI/AAAAAAAAAgk/KXGfVoLRSr8/s400/the_west_wing_season_five_image__3_.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5440348754672586018" style="display: block; margin-top: 0px; margin-right: auto; margin-bottom: 10px; margin-left: auto; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 298px; " /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:x-small;"&gt;Fotograma de &lt;i&gt;The West Wing&lt;/i&gt;, seriado americano. Mais de 70% da programação da TV paga vem de fora.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;Jogar a responsabilidade para a audiência não é reduzir, mas acertar o alvo. Tem de tudo na televisão e a metáfora da comida a quilo que Wilson Gomes me ensinou encaixa: os conteúdos televivos estão a mesa e o público é responsável por sua dieta. Alargar à força a oferta de &lt;i&gt;comida&lt;/i&gt; nacional é flertar com o autoritarismo e fazer coro àquela famigerada voz petista que conversa com Hugo Chávez e futrica com Fidel Castro.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2916088132459144196-7535527400963636401?l=pbritto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pbritto.blogspot.com/feeds/7535527400963636401/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2916088132459144196&amp;postID=7535527400963636401&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2916088132459144196/posts/default/7535527400963636401'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2916088132459144196/posts/default/7535527400963636401'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pbritto.blogspot.com/2010/02/televisao-tipo-exportacao.html' title='Televisão tipo exportação'/><author><name>Pedro Britto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11040260418755942175</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_mcoYeQDIcgk/Sbr5_2kXvmI/AAAAAAAAAeU/3M25ngP3Wps/S220/eu.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_mcoYeQDIcgk/S4AA88pudpI/AAAAAAAAAgs/o3vx30BlHcM/s72-c/marco-aurelio-garcia.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2916088132459144196.post-8200606770197517218</id><published>2010-01-29T05:12:00.001-03:00</published><updated>2010-02-20T13:11:03.115-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cartum'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_mcoYeQDIcgk/S2KYguFRGKI/AAAAAAAAAgc/d3P53s8RXA4/s1600-h/he-man.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 138px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_mcoYeQDIcgk/S2KYguFRGKI/AAAAAAAAAgc/d3P53s8RXA4/s400/he-man.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5432071788455598242" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2916088132459144196-8200606770197517218?l=pbritto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pbritto.blogspot.com/feeds/8200606770197517218/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2916088132459144196&amp;postID=8200606770197517218&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2916088132459144196/posts/default/8200606770197517218'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2916088132459144196/posts/default/8200606770197517218'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pbritto.blogspot.com/2010/01/blog-post_29.html' title=''/><author><name>Pedro Britto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11040260418755942175</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_mcoYeQDIcgk/Sbr5_2kXvmI/AAAAAAAAAeU/3M25ngP3Wps/S220/eu.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_mcoYeQDIcgk/S2KYguFRGKI/AAAAAAAAAgc/d3P53s8RXA4/s72-c/he-man.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2916088132459144196.post-1975951638939454583</id><published>2010-01-06T10:35:00.000-03:00</published><updated>2010-02-20T13:14:43.315-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cartum'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_mcoYeQDIcgk/S0SS3vsYsJI/AAAAAAAAAgU/w_4W7je2Xww/s1600-h/burca.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 138px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_mcoYeQDIcgk/S0SS3vsYsJI/AAAAAAAAAgU/w_4W7je2Xww/s400/burca.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5423621337654014098" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2916088132459144196-1975951638939454583?l=pbritto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pbritto.blogspot.com/feeds/1975951638939454583/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2916088132459144196&amp;postID=1975951638939454583&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2916088132459144196/posts/default/1975951638939454583'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2916088132459144196/posts/default/1975951638939454583'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pbritto.blogspot.com/2010/01/blog-post.html' title=''/><author><name>Pedro Britto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11040260418755942175</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_mcoYeQDIcgk/Sbr5_2kXvmI/AAAAAAAAAeU/3M25ngP3Wps/S220/eu.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_mcoYeQDIcgk/S0SS3vsYsJI/AAAAAAAAAgU/w_4W7je2Xww/s72-c/burca.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2916088132459144196.post-8080617747180380436</id><published>2009-12-16T22:06:00.001-03:00</published><updated>2009-12-16T22:06:54.860-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='literatura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><title type='text'>Ingratidão</title><content type='html'>&lt;!--StartFragment--&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;mso-pagination: none;mso-layout-grid-align:none;text-autospace:none"&gt;&lt;span style=" ;font-family:Georgia;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;Esmiuçava assim o cabelo pegando um punhadinho com o polegar, o indicador e o maior-de-todos e catava, catava até ficar um fio apenas. Repetidas e incansáveis vezes ela continuava. Quando ficava apenas um fio de cabelo, começava tudo outra vez e pegava mais um punhadinho, variando um pouquinho o lugar da cabeça porque depois assim de umas três vezes no mesmo lugar já doía. Eu cansava só de olhar seus braços levantados em cima da cabeça. Que coisa. Fazia isso pra pensar. Pensava catando cabelo e fazia de novo e de novo até chegar a uma conclusão ou às vezes não tinha conclusão que chegasse e parava pra fazer alguma coisa porque ninguém guenta pensar assim direto, tem que fazer alguma coisa, beber uma água que seja, abrir o armário, a geladeira, e depois voltava ao cabelo ou esquecia e não pensava mais.&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;mso-pagination: none;mso-layout-grid-align:none;text-autospace:none"&gt;&lt;span style=" ;font-family:Georgia;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;Isso que mais me doía. Isso que me apertava todo. No começo, o desespero dava esperança. Mas, mas, agora, acabou. Agora, ela só vive assim sem ligar. Sem o cabelo tudo tá bom e tudo tá ruim, deixa. Também, me diga uma pessoa que consegue viver sem pensar.&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=" ;font-family:Georgia;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;E justamente eu aqui pensando que depois que ela se for e o remédio for com ela, o cabelo vai voltar, sem o pensamento dela, ele, ingrato e injusto, filhodaputa, vai crescer sem ela.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;!--EndFragment--&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2916088132459144196-8080617747180380436?l=pbritto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pbritto.blogspot.com/feeds/8080617747180380436/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2916088132459144196&amp;postID=8080617747180380436&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2916088132459144196/posts/default/8080617747180380436'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2916088132459144196/posts/default/8080617747180380436'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pbritto.blogspot.com/2009/12/ingratidao.html' title='Ingratidão'/><author><name>Pedro Britto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11040260418755942175</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_mcoYeQDIcgk/Sbr5_2kXvmI/AAAAAAAAAeU/3M25ngP3Wps/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2916088132459144196.post-4781677962228442255</id><published>2009-12-09T15:03:00.002-03:00</published><updated>2010-06-01T22:27:01.076-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='facom'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crônicas'/><title type='text'>Folhinha faconiana</title><content type='html'>"Temas Especiais em Semiótica" dizia meu comprovante de matrícula. Terceira semana de aula, eu lá estava no pafe três. Sete e meia da manhã. Benjamin sentado à mesa de professor, eu e as carteiras vazias. Sentei. Levantou a cabeça com indiferença e seu nome é? Pedro. Pedro, hum, tá, aqui. Já tivemos duas aulas. Assenti com a cabeça. O que faz aqui? Resolvi falar, sabia que só este momento me interessaria no semestre e que depois, não tinha jeito, eu abandonaria a disciplina. Tinha me matriculado só pra aquilo, não aguentaria seu audível fluxo de consciência outra vez, dei sorte, ele perguntou logo, eu disse: na verdade, não aproveitei Semiótica no segundo semestre – sim, aluno seu – o que não aconteceu com Estética – é, com Monclar – e queria entender mais da divergência de Estética e Semiótica – se acadêmica realmente, se de vocês dois, enfim.&lt;div&gt;Cena ridícula os dois me fizeram presenciar. Dividiam a sala 6 da Facom, Benjamin dava aula até as nove e Monclar, das nove às onze. Nove e quinze, Monclar entra na sala e depara com Benjamin ainda sentado à mesa. Se dirige ao fundo da sala e finge mexer em sua pasta. Benjamin se arruma demoradamente, enrola o fio do ipod com cautela, organiza os livros com paciência e, por fim, sai. Estava eu numa cadeira no centro da sala, paralela ao corredor onde dava a porta, e Benjamin, como quem comemora um gol, soca o ar. Eu, pasmo, rio.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A Estética fenomenológica compreende uma experiência estética, por &lt;i&gt;perceptiva,&lt;/i&gt; como única e indivisa, não podendo quaisquer análise empírica esgotar tal experiência, o esforço deveria focar-se, pois, em descrevê-la; "O todo é maior do que a soma das partes". A Semiótica, ao contrário, investe em segmentar tal experiência, analisar suas características, acreditando, enfim, que, a partir de certa metodologia, uma obra de arte, por exemplo, poderia, sim, estar esgotada numa análise. Foi o que disse que compreendia da divergência lá, na sala 204 do pafe três, quando ele me perguntou o que eu fazia ali. Ele concordou.&lt;div&gt;&lt;div&gt;"Monclar foi meu amigo durante quinze anos. Eu tenho inconfidências dele, como ele tem inconfidências minhas. Ele sempre teve essa atitude insular, nunca se envolveu muito com o campo acadêmico e sempre escolheu algum discurso pra criticar, afirmando o seu, numa época, Itânia, noutra, Jéder, depois, Wilson. Uma vez, numa reunião do Compós com uns dez professores para apresentação de trabalhos, quando chegou minha vez, ele pegou meu texto e disse que era ridículo sem ao menos lê-lo. No ano seguinte, teve a mesma postura, a gente discutiu e eu saí da sala, disse que não participaria daquilo enquanto ele estivesse. Monclar, sem dúvida, é uma das pessoas com maior capacidade intelectual que eu conheço. Mas ele sempre teve esse tipo de atitude, discutimos nossas posições durante muito tempo, mas chegou um momento que ele não lia mais e apenas criticava. Perdi a paciência."&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Outras coisas foram ditas, estas não foram ditas tão assim e tudo ficou por isso mesmo depois dessa meia hora. Monclar continua a me convencer, Benjamin, argumentando nada, prendeu minha atenção como nunca e grafado está no meu currículo de disciplinas, ao lado de "Temas Especiais em Semiótica": &lt;i&gt;RF&lt;/i&gt;.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2916088132459144196-4781677962228442255?l=pbritto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pbritto.blogspot.com/feeds/4781677962228442255/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2916088132459144196&amp;postID=4781677962228442255&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2916088132459144196/posts/default/4781677962228442255'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2916088132459144196/posts/default/4781677962228442255'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pbritto.blogspot.com/2009/12/folhinha-faconiana.html' title='Folhinha faconiana'/><author><name>Pedro Britto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11040260418755942175</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_mcoYeQDIcgk/Sbr5_2kXvmI/AAAAAAAAAeU/3M25ngP3Wps/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2916088132459144196.post-894344620242273202</id><published>2009-12-01T10:19:00.001-03:00</published><updated>2010-10-25T19:38:40.690-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='true blood'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='seriados'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='opinião'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='televisão'/><title type='text'>Devolvam meu True Blood</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: left;"&gt;Esperançoso estava eu. Férias de &lt;i&gt;House &lt;/i&gt;e&lt;i&gt; Lost,&lt;/i&gt; sem saco para rever os memoráveis episódios de &lt;i&gt;The &lt;/i&gt;&lt;i&gt;Sopranos,&lt;/i&gt; recorrendo, vejam minha sina, à &lt;i&gt;24 Horas&lt;/i&gt; para preencher meu horário antesono, somado ao burburinho tuiteiro&lt;i&gt; &lt;/i&gt;em torno da nova série de vampiros produzida pela HBO, lá vou eu submeter meu emule a algumas horas de download.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;O fato é que &lt;i&gt;True Blood&lt;/i&gt; é &lt;i&gt;trasheira&lt;/i&gt; equilibrada, valendo-se sem pena das regras do gênero, a primeira temporada da série surpreende – a vinheta de abertura é um show à parte. Tá tudo lá: mocinha pueril – loira, claro – e vampiro do bem e vampiro do mal e microcosmo e sangue e sexo e drogas e romance impossível e sujeira e vermelho.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 266px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_mcoYeQDIcgk/SxUozcGN3NI/AAAAAAAAAf4/Pp191s5N0dU/s400/trueblood31.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5410275391536225490" /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Os vampiros saem do armário depois dos japoneses inventarem um sangue sintético – True Blood, servido quentinho, à trinta e seis graus – e os humanos, nós inclusive, vão (re)descobrindo as vicissitudes vampirescas – o alho é só tempero, a prata machuca, estaca de madeira no coração mata, o sol também, a água benta, ora, é só água... – tudo isso enquanto Sookie, a mocinha, e Bill, o vampiro bonzinho, se apaixonam.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Nada de novo, nada de surpreendente, mas quem precisa disso? &lt;i&gt;True Blood &lt;/i&gt;é &lt;i&gt;trash.&lt;/i&gt; Mas é, permitam-me, fino &lt;i&gt;trash.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Eis que a primeira temporada termina levando tudo com ela. A série me inventa de expandir seus horizontes. A trama, agora, se mete nos problemas dos vampiros importantes, vai à Los Angeles, aparece Rainha dos Vampiros, Mênade – não me pergunte o que é isso –, num-sei-o-quê-morfo, surge vampiro mais velho que Jesus, aparece tudo quanto é derivação de superpoderes, ai ai. Enquanto a trama da primeira temporada se desdobrara sobre homícidos em série de um assassino desconhecido ali na cidadezinha interiorana de Bon Tomps, com cinco ou seis personagens centrais, fazendo um delicioso café com leite, a ambiciosa segunda temporada tenta abocanhar o mundo. E, vejam só, o olho é maior do que a barriga.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 226px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_mcoYeQDIcgk/SxUpl_fJJRI/AAAAAAAAAgA/4pQKJX2NKYk/s400/true_blood_lafayette.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5410276260029474066" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;É elemento demais para equilibrar e &lt;i&gt;True Blood&lt;/i&gt; fracassa. A diversidade de bichos antropomórficos, que já incomodava na primeira temporada, assume parte fundamental da trama na segunda. O nicho narrativo é esmigalhado em vários – o que dizer da trama sobre a igreja inquisidora de vampiros? –, estragam-se personagens – Lafayette que fora a personagem mais atraente, agora, é um &lt;i&gt;asshole&lt;/i&gt; com medinho de vampiro, Eric, o vampirão do mal, vira um vassalo de merda de uma porrada de outros vampiros –, o perigo transforma-se em coisa séria demais, Sookie vai perdendo sua coragem inocente na medida em que vai ficando forte, cheia de poder de barganha, enfim.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Esperançoso estava eu, como ia dizendo, em ter melhores noites de sono. Devolvam meu &lt;i&gt;True Blood&lt;/i&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2916088132459144196-894344620242273202?l=pbritto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pbritto.blogspot.com/feeds/894344620242273202/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2916088132459144196&amp;postID=894344620242273202&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2916088132459144196/posts/default/894344620242273202'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2916088132459144196/posts/default/894344620242273202'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pbritto.blogspot.com/2009/12/devolvam-meu-true-blood.html' title='Devolvam meu True Blood'/><author><name>Pedro Britto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11040260418755942175</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_mcoYeQDIcgk/Sbr5_2kXvmI/AAAAAAAAAeU/3M25ngP3Wps/S220/eu.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_mcoYeQDIcgk/SxUozcGN3NI/AAAAAAAAAf4/Pp191s5N0dU/s72-c/trueblood31.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2916088132459144196.post-8347160449922800438</id><published>2009-11-27T08:19:00.001-03:00</published><updated>2010-06-01T22:26:48.470-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><title type='text'>Coringa</title><content type='html'>&lt;!--StartFragment--&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 51);font-family:Georgia;" &gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;Maria Clara olhava a poeira dançando no feixe da luz amarelada do poste que passava pela janela entreaberta da biblioteca da casa de Júlia – sua grande amiga, apesar do pouco tempo. Amizade daquelas. Tinho perguntava o quê é que tinha essa tal de Júlia, como ele dizia no início, que fez Clara realmente se interessar tanto. Não sabia se era a presença constante dos baseados enormes, se a sapiência sutil exposta em &lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;drops&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;, o quê é que era. Sabia que agora era Júlia pra cá, Júlia pra lá. Nem Romeu conseguira aquilo. Romeu, aquele médico, amigo de Tinho, que dá aula de filosofia pra uns aposentados na Barra. Ele andou sem dar atenção aos planos de Maria Clara e acabou por querer três filhos depois que já não adiantava. Hoje, nenhum dos dois tem filhos, apesar de transarem às vezes em noites de chuva que lembram outra noite, como Tinho me fez saber num dia de porre. Estavam, na verdade, os quatro – eu, Maria Clara, Júlia e Tinho – na biblioteca. Que biblioteca, como de quando em vez ouve Júlia junto à olhares meio boquiabertos, de passagem, pelo corredor. Sete prateleiras enfileiradas que escorrem até o fim da grande sala, onde Júlia e seus primos brincaram os melhores esconde-escondes de sempre, lembrados sem exceção nas noites de Natal. História que me faz supor, quase convictamente, que safadiagens juvenis e iniciações sexuais eram com certeza o motivo disso tudo. Maria Clara tinha acabado de dizer que não tinha tempo pra ler e que aquela biblioteca lhe dava desânimo e a sensação de não saber nada. Todas as vezes. E, quase nunca agora, ela gostava desse sentimento. Tinha começado essa estória porque, antes disso, Tinho e Júlia estavam conversando sobre as festas malucas da época de faculdade. Júlia se dizia Rebordosa e Tinho não hesitou às comparações com as performances de Clara, da época em que faziam Contabilidade juntos na Católica. A conversa estava chegando aos pormenores, e Clara tinha corado, o que só eu percebi. Parecia que queria deixar eles continuarem, mas tinha falado da biblioteca, e meio que se arrependeu depois, mas Júlia já ia dizendo que estava acostumada àquela quantidade de livros. Que saber é saber que não sabe e que o cheiro de poeira e mofo deixava-a em quase transe de prazer. Olhando distraidamente, até se achava que eles falavam mesmo sem pompa e com naturalidade. Mas eu tinha visto de perto. Falavam normalmente numa conversa tranquila, mas eu sabia que pensavam duas ou três vezes na possibilidade de estarem errados e serem corrigidos. Eu tenho raiva dessa hipocrisia ridícula. Tinho mesmo não sossegou até comer Clarinha, o que acabou acontecendo depois de um tempo que ela havia rompido com Romeu. Era nela que ele pensava quando se contorcia na cama em masturbação de rítimo acelerado, sendo quase pego com a boca na botija, algumas feitas, pela filha ou pela mulher. Amigaço de Romeu, abraçava-o sinceramente mirando a silhueta arredondada, quase gordinha, de Clarinha. Ele já tinha fodido Júlia nessa época. Ouviu, uma vez na adolescência, de um vizinho de rua mais velho, que o próprio tinha passado o rodo em todo mundo do trabalho depois de comer gostoso uma das secretárias, disse que a informação passa numa velocidade impressionante e sem demora todas já querem lhe dar. Júlia tinha mesmo dado pra ele com vontade, parece que ela percebia a intenção dele, mas não queria nem saber e deu-lhe uma surra de buceta, como diz seu Zelito, o zelador de meu prédio. A porra da hipocrisia você sempre acha, é só olhar de perto. Eu moro no subsolo e finjo até hoje que não sei que a vizinha do 101, casada, trinta e cinco anos, mãe de Gabriel, já fornicou umas três vezes na escada com Rafael, do 202, naquela pressa que sempre se tem aos dezesseis anos, sem contar na tensão constante de um possível flagra. E sem escrúpulo algum, no dia seguinte, brincava alegremente com o filho no &lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;playground&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;, com aquela cara de esposa irretocável. Ridículo. Já tinha passado meia hora, certamente um pouco mais, desde que Clarinha tinha se envergonhado com as recordações de Tinho e eu já tava ficando com sono, pelo menos eu disse isso. Fui pra casa dormir na mesma cama de sempre que nunca dividi com ninguém, exceto as putas – que eu me recuso a pagar preferindo me satisfazer em punheta –, putas me dadas de presente em alguns dos meus aniversários. Creditados os presentes à minha virilidade exemplar, com o maior histórico de volúpias já reunidas e pela opção convicta, argumentada em retórica refinada, por estar solteiro. O que todos acreditavam piamente ser verdade, motivo de orgulho e admiração entre os amigos.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;!--EndFragment--&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2916088132459144196-8347160449922800438?l=pbritto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pbritto.blogspot.com/feeds/8347160449922800438/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2916088132459144196&amp;postID=8347160449922800438&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2916088132459144196/posts/default/8347160449922800438'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2916088132459144196/posts/default/8347160449922800438'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pbritto.blogspot.com/2009/11/coringa.html' title='Coringa'/><author><name>Pedro Britto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11040260418755942175</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_mcoYeQDIcgk/Sbr5_2kXvmI/AAAAAAAAAeU/3M25ngP3Wps/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2916088132459144196.post-8653439019505061706</id><published>2009-11-27T07:27:00.001-03:00</published><updated>2009-11-27T09:09:37.572-03:00</updated><title type='text'>REBOOT</title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Eufemismo seria chamar as postagens deste blog de esporádicas. Resolvi apertar o restarte. Veremos se deixo de preguiça e passo a postar de verdade. A primeira delas será uma repostagem, ora vejam só. Ninguém muda assim tão rápido.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2916088132459144196-8653439019505061706?l=pbritto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pbritto.blogspot.com/feeds/8653439019505061706/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2916088132459144196&amp;postID=8653439019505061706&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2916088132459144196/posts/default/8653439019505061706'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2916088132459144196/posts/default/8653439019505061706'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pbritto.blogspot.com/2009/11/reboot.html' title='REBOOT'/><author><name>Pedro Britto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11040260418755942175</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_mcoYeQDIcgk/Sbr5_2kXvmI/AAAAAAAAAeU/3M25ngP3Wps/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
